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terça-feira, 30 de outubro de 2012
pessoas
Pessoas são consequências de outras pessoas.
Pessoas são consequências do que as cerca.
Pessoas são consequências.
Inclusive uma consequência sua.
quinta-feira, 4 de outubro de 2012
As avessas
Quem é você?
De onde vem?
Pra onde vai?
Vai?
Vem?
Já foi.
Fui.
Hoje somos o que nunca fomos e se fomos não mais seremos.
Ora que bobagem, se somos colcha de retalhos, que mal há em lembrar?
Ainda há de existir ontem pra gastar.
Quem nunca riu do ontem? Quem nunca chorou pelo que não foi ontem?
Que foi você?
De onde veio?
Pra onde foi?
Foi?
Vai?
Indo.
O tempo de amanhã nem a Deus pertence.
E se amanhã for o sétimo dia?
E se, meu caro. E se.
Mas isso não interessa. Ontem, hoje, amanhã... São apenas medidas usadas para definir, consecutivamente, arrependimento, vinte e quatro horas e talvez.
Ontem me arrependi por ter jantado tarde demais. Tive insonia.
Hoje tenho vinte e quatro pra dividir em partes iguais, sem decepcionar um minuto sequer.
Amanhã, talvez dê tempo de comer aquele macarrão com atum que eu venho desejando desde segunda. Mas talvez.
Quem será você?
Para onde irá?
Irá?
Chegará?
Se foi, se comeu, se chorará, se parte, se comeu, se beijará, se anda, se faltou, se bebe, se levará, se fumou, se perde, se sentirá. Se será.
sexta-feira, 7 de setembro de 2012
Metade do não acontecido.
Os dentes brancos por trás do sorriso bonito paralisaram minhas carnes. A pele riscada pelo meu desejo, o olho preso aos gestos. O cheiro viciante, a voz arrogante, o cabelo mesclado. O tempo apressado, o passo contado, o abraço não dado. O desejo do gosto, o medo do gozo, o tapa no braço - acorda!. O gole no copo, o anel no dedo, o caderno, o livro. A história mal contada, a piada falha, o breve ensaio. A língua encharcada, a meia garrafa, o copo vazio. O corpo latente, a face em rubi, o ferver do sem ter.
sábado, 18 de agosto de 2012
O copo sujo de batom ainda está na prateleira.
Eu sei, já devia tê-lo tirado de lá... Mas todo santo dia eu o olho e me dá uma pena, sabe. Eu sei que o copo está vazio, porém é só pro cego que não quer ver. O copo está vazio pra um leigo, pra uma visita chata no fim de tarde de sábado. Pra mim não. Eu me afogo naquela marca de batom, me afogo nas paredes finas de vidro, me afogo nas digitais, me afogo nas lembranças. E vai ficar lá. Deixa o copo lá que hoje e amanhã eu quero ficar olhando pra ele. Melhor que a TV, melhor que o rádio, melhor que qualquer janela aberta.
O copo está, aparentemente sujo. Poeira, batom, mancha de dedo. Um leigo vê isso, uma visita inconveniente num fim de tarde de domingo chato também. Eu vejo um copo limpo, tão transparente quanto água de nascente! Boas e puras lembranças de uma noite de quarta que insiste em durar até hoje. Acho que são as memórias que limpam o copo todas as manhãs, antes mesmo que eu acorde. E eu fico na sala. Pra cada folha do livro, lanço um olhar nostálgico e pronto... O batom no copo fala comigo, as digitais me tocam. Podia ser um copo na prateleira esquecido pelo desleixo, esquecido pela falta de tempo, podia ser tudo o que você conseguir imaginar.
E é.
terça-feira, 10 de abril de 2012
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