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quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

E se não estiver tudo bem?

Toda ilusão é passageira. Toda desilusão também. Nos tempos em que Bam era tocável e atingível, eu sabia exatamente sobre o que escrever. Quando Bam se foi, prometi a mim mesmo que só iria escrever sobre essas coisas de coração partido se me ocorresse tal desgraça de novo.

Eis que cá estou.

sábado, 13 de fevereiro de 2016

Lembrança de um esquecimento aleatório.

Não é nenhuma data específica. O relógio marca um hora qualquer. É tudo muito aleatório, solto, vago, vácuo. Me peguei chorando e tive que escrever pra você. Odeio quando essas coisas acontecem, quando me sinto perdido e agoniado... quando você conversava comigo o peso das coisas diminuía. Eu vejo os dias passando tão rápido e parece que cada vez mais o tempo se preocupa em aumentar abismos, desfigurar rostos, tornar vozes inaudíveis e os perfumes inodoros. O nome disso é esquecimento e eu detesto me sujar com a culpa por deixar isso acontecer e sequer ter condições de fazer algo contra. Detesto onde me encontro agora... na verdade, detesto como me encontro agora...

PS. Você é o impulso, os vinte segundos de coragem necessários pra que não haja nunca arrependimento por não ter feito. Eu dei meu livro favorito pra você por que nele tinham mais histórias do que as que estavam escritas em times new roman, em algumas centenas de páginas amareladas. Eu estou nas entrelinhas que talvez você nem tenha lido ainda.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

Do livro de rasbisco - entre desenhos de cubos assimétricos e espirais.

Se tu soubesse, menina, a falta que tu faz, pegaria o primeiro 079 que passasse e descia aqui na minha porta. Do jeito que fosse, a hora que fosse, mas tu viria as pressas.
Eu fico vendo tu ser linda de longe e rezando as rezas que eu invento na hora mesmo, só pra tu me enxergar e dizer que ainda consegue rir das minhas piadas bestas.
Ontem a tarde, quando tava na praia, eu lembrei da vez que tu me fez tirar os sapatos, as meias e subir as pernas da calça jeans só pra molhar os pés e as canelas nuas na água do mar. Tu nem faz ideia, mas aquilo, menina, lava minha alma até hoje.
Eu preciso do teu sorriso largo além das fotos, preciso sentir o peso da tua cabeça no meu ombro, preciso perder mais tempo conversando sobre tudo e nada contigo, preciso ouvir tu me pedir pra ficar só mais dez minutinhos. Eu preciso tanto que tu nem imagina o quanto!

Ps. Naquela madrugada que tu esbarrou em mim, eram exatamente 04:28 da manhã de uma sexta-feira. Talvez não faça sentido algum, mas foi lindo.


[Em 17 de maio de 2014]

domingo, 13 de dezembro de 2015

Três primaveras depois de 1986.

Naquele verão de 85, quando eu nem esperava que alguma coisa ainda fosse acontecer, você cruzou a rua e me perguntou o que havia de bom pra fazer pelas redondezas. Naquele segundo em que o mundo parou pra que eu pudesse olhar e ouvir você, eu soube, baby, que eu estava diante do amor da minha vida.
Ainda me pergunto se me apaixonei primeiro pela sua voz, pelos seus olhos, pelos seus ombros largos ou pelo hematoma no seu joelho. Não era muito normal garotas da sua idade jogarem bola ou andar de bicicleta mesmo que usando vestido, você sabia disso e mesmo assim fazia de tudo pra quebrar as regas. E eu amava isso. Eu amava sua rebeldia em manter os cabelos curtos enquanto a moda pedia cabelos trançados, e ficava louco da vida quando você apostava corrida com outros meninos!
Você foi a primeira mulher que me fez chorar com motivos e me viu chorar segurando um pedaço de bolo que você tinha guardado do seu aniversário que eu não pude ir. Você lembra disso, baby? Eu com o rosto vermelho, chorando que nem um bobo! Você ficou do meu lado e me abraçou de um jeito tão confortável que eu poderia morar nos teus braços por um tempão.
Quando a primavera chegou e nós já não éramos mais tão crianças assim, você me contou que iria embora. Pra outra cidade, talvez. Ia depender da vontade dos seus pais. Ah, baby, tudo dentro de mim gelou! Eu não podia perder você, mas você quis assim.
Sim, já se passaram, mais ou menos, umas três primaveras e você não. Você já não me manda notícias. Me vejo obrigado a me contentar em imaginar o seu agora, suas atuais urgências, se ainda existem hematomas nos seus joelhos. Imagino, também, que seu cabelo deva ter crescido, mas imagino que já o tenha cortado, assim como me cortou aos pedaços em março de 86.

Ps. Não te escrevo nessas linhas. Escrevo estações.

La Mort

Andamos em círculos.
Começamos nus, sem pelos, dentes e noção.
E morremos assim.
Sozinhos, no escuro, num profundo silêncio, debaixo do chão.