eu tinha uma preguiça da porra de me apaixonar. eu preferia ficar em casa, deitado na cama. era muito mais fácil acender um cigarro e passar a tarde toda de perna pra cima e dividindo a preocupação com o jantar de mais tarde e com o almoço de amanhã.
minha rotina chata que se resumia em faculdade, bar, casa, faculdade, bar... se viu atormentada quando você inventou de atravessar a avenida e vir me cumprimentar. pra quê, heim?
eu fiquei tão perturbado naquele dia. voltei pra casa repetindo seu nome involuntariamente e meus olhos pareciam maquinas do tempo travadas; só repetiam sua chegada. insistentemente.
depois eu fui me acostumando. me adaptei as dores de ter te conhecido e depois e um tempo, eu passei a gostar de saborear suas esquizofrenias diárias.
eu me sentia um doido de pedra por fazer o que eu fazia e também me sentia bem, porque pensava "são provas de amor. talvez seja compreensível".
e quando já parecia estar tudo calmo, quando o trem desgovernado finalmente tinha sido reposto nos trilhos, você me olhou e disse que não era capaz de me fazer feliz. como assim? como não era? que idiotice!
logo depois, ainda meio confuso, voltei pra realidade. eu tinha aula de natação depois e eu ia poder nadar até abrir um buraco na água e te jogar lá dentro, junto com tudo e com toda a felicidade que você não soube me dar.
nunca me senti tão puto na vida. eu nadava com tanta força! eu gritava em baixo d'água, desesperado, "por quê? por quê?". sei lá. era como se a piscina toda tivesse cheia de lágrima. de lágrima minha. entre choro, gritos e braçadas, terminei minha aula.
voltei pra casa exausto, enjoado, com dor na cabeça. nada fazia sentido. nada, mesmo!
até eu me acostumar com a ideia de que tinha acabado e que eu preferia que um ônibus lotado - que nem aqueles que eu pegava depois da aula - passasse por cima de você.
e hoje, tanto tempo corrido, olho suas fotos e penso "como eu consegui?".
+MAIS
domingo, 27 de abril de 2014
segunda-feira, 3 de março de 2014
Um rio
Faz cem anos que eu não a vejo. Sem exageros, realmente são cem anos.
E ela não envelhece e nem entristece e nem cansa. Mas isso não significa que ela esteja parada no tempo. Não. Nunca.
Ela é a personificação da bonança, do progresso, do avanço, da inteligencia, da mente aberta. Tudo que flui para o bem.
Eu fui uma pedra, que durante muito tempo desviou o ritmo do rio que ela é. Então ela se valeu da força que não tinha e passou por cima de mim. A vida correu depressa, cem anos se passaram e eu estou aqui, completamente imerso em lembranças e preces.Eu te amo.
domingo, 23 de fevereiro de 2014
Esses dias
Não tem sido fácil.
Mas a culpa não é sua ou minha ou de quem quer que seja.
Os dias não estão favoráveis... Acho que é isso.
sábado, 8 de fevereiro de 2014
Intacto.
Sábado de manhã, e se meu relógio não estiver enganado, são onze horas e um minuto. Desde ontem que eu sinto uma saudade boa de ti. Engraçado como escutar qualquer coisa de Belchior faz voltar no tempo, e lembrar das tarde em que a gente sentava na tua sala e conversava sobre coisas bobas, mas que faziam todo sentido e muito mais do que sentido, te faziam rir e rir e rir. Era uma delícia! Eu sentia tua risada na pele, eu te sentia dentro de mim. Quente e forte. Era amor e eu não sabia. Ai, amormeuzinho... Tanto tempo depois e ainda me pego a sentir saudades tua e daquilo que a gente viveu lá pelos anos de dois mil e onze. A gente começou com data pra terminar, acho que isso tava escrito em algum lugar e nós esquecemos de ler ou não soubemos ler. Eu, particularmente. A bolsa do Guimarães Rosa, as tardes perto do Moreira Campos, os beijos sob os olhos de Machado de Assis... Eu tenho tudo guardado aqui. Tudo intacto. É amor. Depois de tanto tempo, de tantos desencontros, talvez eu tenha achado o que precisava achar: o sentindo real do que é amar. É ver suas fotos e ficar feliz e rir da foto do teu sorriso e dançar com a foto que te tem dançando e me pegar ninando quem ainda estar por vir.
"Quando eu desapareci
Ela arranjou um amante
Minha normalista linda
Ainda sou estudante
Da vida que eu quero dar"
"Quando eu desapareci
Ela arranjou um amante
Minha normalista linda
Ainda sou estudante
Da vida que eu quero dar"
segunda-feira, 6 de janeiro de 2014
Alguma coisa sobre tanto faz.
[1]
Eu me disponho, corro perigo, atravesso meio mundo em plena tarde de domingo.
E entre farpas e briguinhas bobas, eis que surge um beijo na boca.
Nas mãos, no pescoço, na ponta do nariz, entre suas pernas. Eu realmente estava ali.
[2]
Levanta a sobrancelha esquerda, põe meio sorriso na boca entreaberta, mexe no cabelo e olha pra mim com desdém. Solta um suspiro, balança a cabeça sinalizando um não, levanta da cama e dá uma ordem sem sequer falar ou gesticular. Fica implícito que acabou ali. Sem insistência, por favor. Desliga o som, acende a luz. Hora de ir embora.
[3]
As segundas-feiras tem como missão, desde que o mundo é mundo, de colocar tudo que desandou durante o final de semana, no seu devido lugar. Então nós caímos de cara na boa e velha rotina, desejando que no fim desse dia renovador, nossas lembranças sejam apagadas. Se bem que tanto faz pro tanto que nada fez...
Eu me disponho, corro perigo, atravesso meio mundo em plena tarde de domingo.
E entre farpas e briguinhas bobas, eis que surge um beijo na boca.
Nas mãos, no pescoço, na ponta do nariz, entre suas pernas. Eu realmente estava ali.
[2]
Levanta a sobrancelha esquerda, põe meio sorriso na boca entreaberta, mexe no cabelo e olha pra mim com desdém. Solta um suspiro, balança a cabeça sinalizando um não, levanta da cama e dá uma ordem sem sequer falar ou gesticular. Fica implícito que acabou ali. Sem insistência, por favor. Desliga o som, acende a luz. Hora de ir embora.
[3]
As segundas-feiras tem como missão, desde que o mundo é mundo, de colocar tudo que desandou durante o final de semana, no seu devido lugar. Então nós caímos de cara na boa e velha rotina, desejando que no fim desse dia renovador, nossas lembranças sejam apagadas. Se bem que tanto faz pro tanto que nada fez...
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