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quarta-feira, 11 de dezembro de 2019

quero dizer entre frases sonolentas que amo dormir e acordar com você. quero que meu colo seja seu descanso ao fim do dia cheio e que o seu colo seja o porto seguro enquanto minha tempestade não sossegar.

poema

guardei aquele poema do iain s. thomas, que quando traduziram pro português virou o tempo que leva até cair. talvez você nem lembre mais ou se ainda lembrar, pensa que foi só uma dessas coisas que se manda por acaso, quando a gente acha que aquela dorzinha na boca do estômago é paixão, porém e na verdade é só um começo de gastrite por estar bebendo muito café amargo durante o dia. e enfim… sempre que vejo essas coisas que parecem que a qualquer momento vão despencar do céu e cair bem no meio da praça do ferreira, é desse poema e da gente que eu lembro.

não pense

Não pense que desisti. Eu vim de muito longe, de anos atrás, de quilômetros, de galáxias, de muito, muito longe mesmo e não viria com o peito rasgado e os olhos em chama se não acreditasse que seu endereço ainda é o mesmo, que ainda posso ligar de madrugada e ouvir sua voz sonolenta me aconselhar. Eu não desisti. Posso ter me perdido (você sabe como meu senso de direção é terrível), mas não faz parte do plano abrir mão de você. Eu vim como pude, com a roupa do corpo, de chinelos, correndo, desviando, caindo, levantando. Eu vim as pressas, assim que ouvi o sinal. Vim a cavalo, de carro, a pé, de motocicleta. Não desisti, nunca me passou pela cabeça desistir. Cruzei fronteiras, cidades inteiras e grandes avenidas e pequenas ruas. Não pense que já acabou, que não me importo mais. Estou em frente ao portão de sua casa, chamando no visor do seu celular, nas caixas de entrada dos seus três e-mails. Não há como desistir agora.

jantar

Convidou-me para um jantar em sua casa. Aceitei prontamente. Seguimos juntos pela rua de pedras. Enquanto caminhávamos lado a lado, a cada passo, bolhas de silêncio e pensamentos agoniados se amontoavam pelos ares, mas só eu era capaz de vê-las. Convidou-me a entrar na casa de porta pequena. E as bolhas, uma a uma, se desfizeram em gotas microscópicas de algum sentimento não identificado. Seus olhos, dois cães ferozes, acompanhavam-me em cada pequeno movimento. A mesa posta reforçava o convite. Já não havia mais opções. Eu, matéria viva - e tudo que em mim habitava, real e figurada -, estaticamente posicionada em sua sala de tábuas corrida. Sentei-me cui da so men te a mesa e num golpe desastroso, porém não menos mágico, esbarrei na faca de prata, tão pesada quanto o ar que respirávamos naquele lugar. Barulho. Silêncio. Os quatro olhos miram o objeto que assumira um novo papel em sua existência. A faca fincada verticalmente no chão de madeira, agora ressignificada, escolhera seu próprio destino de ser uma estaca.

sexta-feira, 1 de junho de 2018

Gota

Em nome das cem vezes que eu ainda vou escrever e apagar todas as mensagens de amor com meu sangue.