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domingo, 19 de maio de 2013

sexta-feira, 10 de maio de 2013

A pior

Por cada uma eu fiz uma besteira.
Pela primeira fui fiel durante cincos longos e pesados anos sem sequer ter beijado a boca.
Pela outra que hoje só guardo um sentimento incompreendido, nem conto os meses perdidos...
Por uma, risquei no pulso com faca quente, coisa de gente apaixonada e sem limites, a inicial no punho esquerdo. Olho pra letra em forma de meia lua e me bate uma melancolia sem tamanho.
Mas de todas as besteiras, ter amado quando não havia mais tempo pra amar foi a pior.


quinta-feira, 18 de abril de 2013

roseira morta.

chore.
chore muito.
chore o dobro do que eu chorei.
chore até achar que está limpa e ver que ainda está suja
e então chore o triplo!
fique em ruínas.
 ponha sua cadeira velha no fundo do poço que um dia foi meu
e sente com seu choro entalado.
com seu choro velado.
com seu choro apertado e estrangulador.
não se reconheça, amargue, renegue e só durma depois que o cansaço e a fadiga tripudiarem na sua carcaça cor-de-meu-ódio.
fume quantos cigarros quiser.
beba tudo que for etílico.
ande pelos piores bares.
e chore.
chore por não ter respostas prontas e certas para todas aquelas suas perguntas existenciais e idiotas.
passe por tudo que eu passei.
se for capaz, sinta tudo o que eu senti
e chore.





quinta-feira, 28 de março de 2013


"Um amasso, um beijaço
Meu olhar de palhaço
Seu orgulho tão sério
Um grande estardalhaço
Pro meu velho cansaço
Do eterno mistério
Meu destino não traço
Não desenho, desfaço
O acaso é o grão-senhor
Tudo que não deu certo
E sei que não tem conserto
Meu silêncio chorou, chorou"
Caetano Veloso - Um abraçaço

sexta-feira, 8 de março de 2013

viajante em latim

em que parte da minha vida eu comecei a gostar de você?
queria lembrar quando foi, como foi e o motivo.
fecho o olho e abro o olho, penso e repenso, mas nada de respostas,
apenas perguntas!
eu nem sei ao certo do que você gosta, nem com quem anda...
mal decorei sua voz e nem sei o que diabos eu vi em você.
toda errada, prepotente, cheia de si, metida, soberba, apresentada,
fútil, grossa e mais um bocado qualidades do gênero.
tem alguma coisa no seu jeito, na sua ruindade.
alguma coisa que me cega, me enerva!
e então você me olha, me põe na boca, mastiga, mastiga, mastiga e cospe.
mais do que qualquer um, sei bem que essa história sem começo certo, vai me levar a um final que eu já conheço - e como!
não faltam motivos pra que eu me afaste,
bem mais do que eu já estou...
mas é inevitável.
me disponho a dar um passo pra trás, tentando fugir desse acaso sem motivo que é gostar de ti
e acabo dando dois passos na sua direção.
e eu que era tão incrédula, cética e meia!
- essa porra de amor a primeira vista é a maior mentira, isso não existe! nunca existiu!
até parece...
minha vã filosofia ruiu que nem um muro velho.
de um jeito chulo, mas com todas as letras, eu me lasquei e nem sei como, nem quando!
a vida tem dessas... quando eu mais precisava de sossego, de paz, de viver o meu momento,
eis que me surge, como uma chuva inesperada, você.