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segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Alguma coisa sobre tanto faz.

[1]
Eu me disponho, corro perigo, atravesso meio mundo em plena tarde de domingo.
E entre farpas e briguinhas bobas, eis que surge um beijo na boca.
Nas mãos, no pescoço, na ponta do nariz, entre suas pernas. Eu realmente estava ali.
[2]
Levanta a sobrancelha esquerda, põe meio sorriso na boca entreaberta, mexe no cabelo e olha pra mim com desdém. Solta um suspiro, balança a cabeça sinalizando um não, levanta da cama e dá uma ordem sem sequer falar ou gesticular. Fica implícito que acabou ali. Sem insistência, por favor.  Desliga o som, acende a luz. Hora de ir embora.
[3]
As segundas-feiras tem como missão, desde que o mundo é mundo, de colocar tudo que desandou durante o final de semana, no seu devido lugar. Então nós caímos de cara na boa e velha rotina, desejando que no fim desse dia renovador, nossas lembranças sejam apagadas. Se bem que tanto faz pro tanto que nada fez...




sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Metáforas.

Não.
Eu não vou segurar sua mão e leva-la aonde você deve ir
E também não vou lhe ensinar o certo e o errado
Essas coisas vem naturalmente, quase que como um instinto... Não precisa de tutoria.
O discernimento faz parte do caráter.
Sinto muito por não ter ajudado
Tive que me retirar antes que meus sapatos ficassem mais sujos
Essa lama na porta da sua vida é o problema e só existem dois caminhos:
Sujar os sapatos ou meia volta volver!






sábado, 2 de novembro de 2013

Por causa de ontem.

Realmente me incomoda o fato de você estar sentado na mesa do lado. Eu tinha planos de só esbarrar em você daqui pra nunca, sabe. Nós fizemos muito bem o papel de estranhos ontem a noite. E fizemos melhor ainda o papel de estranhos conscientes da (re)aproximação indesejada. Eu sei que você não está feliz, eu sei mais do que ninguém que tudo ai dentro tá te roendo e remoendo dia e noite, noite e dia. Às vezes quando paro pra pensar no tempo, nas pessoas, nas chances de ser feliz, no amor próprio, em tudo que você perdeu pra tá onde tá - diga-se de passagem no fundo do poço - dá uma pena.
Um amigo disse que essa pena é sinal de nobreza da minha parte, outro deixou bem claro que a pena pertence a galinha e não a mim. Sorri. No fim, ah, no fim... No fim você desconta em trabalho, em cerveja, em partidas de sinuca e em conversas vazias, essas frustrações que parecem te sufocar a cada hora extra. Sonhei com você essa noite. Mas não foi nada real até porque você nunca admitiria que errou, que foi traído pelo (único?) (melhor?) amigo, muito menos que foi largado pela pessoa que o fez esperar dois anos pra cuspir de novo na sua cara.
Qual a sensação? Só queria saber qual a sensação de saber que seu "único e melhor" "amigo" sentava e ria das piadas asquerosas que o" seu motivo de espera" fazia enquanto beijava outra boca que não era a sua. Nunca foi sua. Aquela boca suja é do mundo, acorda! Um dia desses eu tava vendo um seriado ai e ouvi uma coisa que me lembrou você. Era um diálogo entre dois personagens que amavam a mesma mulher e um dizia ao outro "Meu coração está com você, mas nós dois sabemos que ela é uma fodida da cabeça". Talvez não seja uma situação muito apropriada ao nosso tempo, mas a parte do "fodida da cabeça" me lembrou muito você. Uma pessoa completamente fo-di-da da cabeça. Minha vontade era  que você conseguisse evoluir. Parece que sempre tem alguma coisa que segua seu pé e não te deixa seguir em frente.
O seu mundo limitado, hermético... Merda... quem sou eu pra dar lição de moral?! No fim, eu só queria que você soubesse que eu entendo. Entendo sem aceitar, mas entendo. Essas coisas são difíceis mesmo. Tudo que te expulsa da zona de conforto é uma agressão benigna ou maligna, mas isso depende exclusivamente de você. Engraçado que eu escrevo essas coisas e me pergunto por raios eu ainda me importo! Você não pensou duas vezes antes de jogar as nossas coisas pro alto e sair correndo em busca de merda (?).
Nada mais justo e merecido já que "do pó nascestes ao pó voltará". Troca pó por merda e não condiciona ao nascimento a culpa de estar onde está. Peninha parece que adivinhou quando escreveu "não tem revolta não, só quero que você se encontre". Casa com o que eu sinto, casa com o que se passa. Tomara que você se encontre, que consiga se livrar dessa corja de gente falsa que te rodeia. E dessa vez, quando abrir o olho e lembrar das perdas e das traições, lembra também de seguir em frente.
Continua fazendo sua parte. Ignora minha existência, não deve ser tão difícil. Estamos quites.




sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Se desfaça.

Não me empolgo mais com suas indas. Você não fica.
É um vem e vai sem fim, dessincronizado, entediante, instável.
Antes eu esperava, eu contava cada segundo e até me ocupava com mil coisas só pra não enlouquecer de ansiedade.
Era como se cada chegada sua trouxesse luz, som, cheiro.
Era você chegar e eu conseguir despir meus olhos e ver que sim, havia vida, mas só enquanto você estivesse ali.
E de repente você ia embora.
Sem muitas explicações. Apenas ia porque estava com a cabeça cheia.
Os seus problemas, as suas confusões, os seus desgastes.
Não me importava de conviver com eles. O que me irritava de verdade era que por conta deles você se ia.
E ia levando tudo que trazia. A luz. O som. O cheiro.
Só uma coisa ficava: um vazio.
A casa de dois cômodos se transformava em um enorme buraco negro. Sugando minha paz, minha força, minha vontade.
Mas no fundo eu me confortava na certeza que você iria voltar. Como sempre.
Dos retalhos que sobravam de mim, a cada vinda e ida sua, eu fiz uma  colcha.
Nada é eterno. A costura se desfez.
Suas chegadas ficaram mais sem graça. Na verdade acho que me acostumei com a rotina de me despedaçar e me refazer dia sim, dia não.
Não me empolgo mais com suas vindas. Você não fica.
Vá de vez. Se faça esse favor.