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segunda-feira, 10 de maio de 2010

Turbulência - Rubens e as agendas

Sinto-me incomodado com a falta de tempo. É que ultimamente tenho reservado horário pra tudo e todos, menos pra mim. O cabelo grande, barba mal feita, olheiras, quase um mostro, de tão feio e cansado.
Sei lá, é estranho dizer esse tipo de coisa, afinal cabeça vazia é oficina do cão - já dizia minha falecida tia avó, Dona Iêda - mas eu realmente queria viver do ócio. Acho que eu preciso de férias,  ou então que o mundo dê uma parada básica, pra eu poder descer e respirar fundo. Deve ser o Mau do Século XXI, só pode. Hoje ainda é segunda e eu tô com a agenda cheia até a próxima! É engraçado, mas tem horas que é bom, pelo menos não tenho tempo pra fazer ou pensar bobagens. Amanhã tenho ensaio da banda, curso de inglês, faculdade, encontrar meu bem. Quarta tem natação, faculdade até as seis e reunião de condomínio. Quinta é curso de inglês, estudos  e mais estudos, levar o gato e o cachorro ao petshop, lavar o carro. Sexta... Ah, se eu for expor minha agenda toda aqui... Eu tenho três agendas, mais a do celular. Um compromisso esquecido e já era. Meu sonho é um dia rasgar tudo e me libertar. Sinto falta dos meus tempos de colégio. Tardes inteiras livres, prontas para serem gozadas em grande estilo - com pipoca e filmes - com amigos ou sozinho. Aiai... Acabei de lembrar que tenho uma resenha sobre Fenomenologia do Turismo pra fazer e também tenho que ler o capítulo três do livro "O que é arte", ambos pra amanhã. Já estava até achando estranho não ter nada pra fazer. Adoro esse caos... Mentira... Eu odeio! Vou tirar minha barba e ver o que dá pra fazer com meu cabelo... Nas olheiras eu passo a base corretiva da minha mãe. Hum... As resenhas e a leitura eu faço pela madrugada. Cazuza me entenderia: o tempo não pára e pronto!

R.F.

domingo, 9 de maio de 2010

Minha mãe

"Tu és, divina e graciosa, estátua majestosa do amor
Por Deus esculturada e formada com ardor
Da alma da mais linda flor de mais ativo olor
Que na vida é preferida pelo beija-flor
Se Deus me fora tão clemente aqui nesse ambiente de luz
Formada numa tela deslumbrante e bela
O teu coração junto ao meu lanceado pregado e crucificado 
Sobre a rósea cruz do arfante peito teu
Tu és a forma ideal, estátua magistral oh alma perenal
Do meu primeiro amor, sublime amor
Tu és de Deus a soberana flor
Tu és de Deus a criação que em todo coração sepultas o amor
O riso, a fé e a dor em sândalos olentes cheios de sabor
Em vozes tão dolentes como um sonho em flor
És láctea estrela, és mãe da realeza
És tudo enfim que tem de belo
Em todo resplendor da santa natureza"

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Sala da solidão

Devorando bala soft de uva, twitando ago sem muita importancia. Não fui assistir aula.
O cheiro do meu próprio perfume enche o ar da sala onde estou, é engraçado, é um cheiro ótimo!
Aqui é meio apertado, sujo... Mas quem se importa? É silencioso, aconchegante e solitário.
Não entra sol, a única janela é pequena e não abre por completa. As vezes um raio de sol sacana resolve entrar e mostrar os ácaros, a poeira e tudo mais que fica suspenso no ar, dançando loucamente a cada sopro do ventilador! Eu gosto tanto daqui.

domingo, 2 de maio de 2010

Conjunção, conjugação, construção...


  Ela quis tentar comigo. Quis conjugar, com o tempo, o verbo amar. Não pude relutar diante da imensidão e do querer mútuo.  Olha onde estou, sentado no chão, olhando umas fotografias antigas, a carta de um mês e o nome dela no meu all star com um coraçãozinho do lado. Eu nem pedi abrigo, só pedi pra ser amigo e até agora me pergunto o que diabos ela viu em mim!
  O tempo passou, o verbo conjugou. E é incrível, a cada beijo um mundo novo se constrói e o céu até fica de uma cor diferente! Quando eu estou com ela não tem hora, nem problemas, nem preocupações, nem nada. É um bem-querer que inunda o ser, que invade os lugares que nem perfume importado.
  Os olhos de represa se rompem de alegria ao vê-la e a busca incessante por dias melhores se abstém ali mesmo, no ponto de ônibus. Bem melhor quando se arquiteta, quando se planeja, quando não há pressa. Do jeitinho da semente – planta, espera, cuida e rega – cresce bonita, vinga que é uma beleza. Do jeitinho que a professora ensinou – conjuga de um por um, de pessoa em pessoa – pra não errar na concordância. Do jeitinho de prédio em construção – deixa a armação de metal se misturar com cimento, abre porta e põe janela – no fim a gente pinta as paredes com cor que a gente quer. Tantas voltas e vê logo por quem eu fui me encantar, aliás, vê logo por quem ela foi se encantar...