Fortaleza, 03 de julho de 2017.
Ainda não tem nome ou apelido.
Não dormi de ontem pra hoje e pensar em você te me dado uma dor de cabeça horrível. Quando essas cartas chegarem na tua porta, rasgue antes de ler. Faça com elas o que fez comigo. Rasgue. E dance por cima dos restos de papéis, depois leve-os à praia, jogue tudo no mar e deixe que se afogue, que se afunde. Vou morrer questionando sua volta, do mesmo jeito que questiono minha desgraçada existência, do mesmo jeito que questiono tantas coisas que acontecem sem um propósito. Eu fui escora? Fui distração? Fui ração pra ego? Fui cama de motel barato? Fui piada em momento apropriado? Fui música pra quebrar silêncio? O que aconteceu com aquele monte de palavra bonita? O que aconteceu com aquelas promessas involuntárias que se materializavam toda vez que tu proferia? Eu descia do carro com a mochila cheia de esperança e guardava todos os tijolos de promessas, como se fossem servir de alicerce pras paredes e chão da casa que nunca vai existir.
Ps. Era tão real, tão quente. Você agora age como vidro de acetona destampado, como cigarro no vento.
+MAIS
sábado, 3 de junho de 2017
Revelação - Fagner
Quando a gente tenta
De toda maneira
Dele se guardar
Sentimento ilhado
Morto, amordaçado
Volta a incomodar
De toda maneira
Dele se guardar
Sentimento ilhado
Morto, amordaçado
Volta a incomodar
sexta-feira, 2 de junho de 2017
Em 2060 o cometa Halley voltará: carta 1 encapsulada.
Fortaleza, 2 de junho de 2017
Não consegui pensar em um apelido é também não posso dizer seu nome.
Essas coisas todas que você me disse, esse atropelo todo de pensamento e sentimento... Você não precisava ter vindo se não fosse pra ficar. Agora eu sou o corpo mais dilacerado, a cabeça mais fodida. Tô me sentindo a maior ferida aberta com braços e pernas e uma cabeça fodida, isso sim. É uma dor, uma agonia... É um caco de vidro saindo por cada milímetro de pele. É como se tudo em mim sangrasse e a vazante fosse o contorno do meu olho ardido. Chorar arde, queima, é soda cáustica roendo o rosto, o peito, a barriga. Eu tô tendo uma hemorragia e não tem o que faça estancar essa merda toda! E tem tanto medo nesse quarto... E não tem luz que acenda, nem som que preencha, não tem nada no mundo que faça parar, que ponha essas coisas suspensas em seus devidos lugares. Veio do jeito que foi, no mesmo galope, na crina do cavalo branco que de tão lindo também é aterrorizante.
Não consegui pensar em um apelido é também não posso dizer seu nome.
Essas coisas todas que você me disse, esse atropelo todo de pensamento e sentimento... Você não precisava ter vindo se não fosse pra ficar. Agora eu sou o corpo mais dilacerado, a cabeça mais fodida. Tô me sentindo a maior ferida aberta com braços e pernas e uma cabeça fodida, isso sim. É uma dor, uma agonia... É um caco de vidro saindo por cada milímetro de pele. É como se tudo em mim sangrasse e a vazante fosse o contorno do meu olho ardido. Chorar arde, queima, é soda cáustica roendo o rosto, o peito, a barriga. Eu tô tendo uma hemorragia e não tem o que faça estancar essa merda toda! E tem tanto medo nesse quarto... E não tem luz que acenda, nem som que preencha, não tem nada no mundo que faça parar, que ponha essas coisas suspensas em seus devidos lugares. Veio do jeito que foi, no mesmo galope, na crina do cavalo branco que de tão lindo também é aterrorizante.
Sem porto, sem vela
Eu sinto demais.
Sinto muito.
Então as distancias de um bairro a outro tornam-se verdadeiros oceanos entre continentes e o corpo inteiro entra em um transe tépido, ora querendo ser barco viajando rumo a você, ora querendo afundar na existência escura de ser e sentir.
Sinto muito.
Então as distancias de um bairro a outro tornam-se verdadeiros oceanos entre continentes e o corpo inteiro entra em um transe tépido, ora querendo ser barco viajando rumo a você, ora querendo afundar na existência escura de ser e sentir.
quinta-feira, 1 de junho de 2017
O selo de R$ 0,3 centavos.
Eu queria escrever pra você
Mas não uma carta de amor
Muito menos de ódio.
Não iria falar sobre meu dia
Nem sobre como as noites tem sido de insônia.
Não adiantaria listar os planos
Nem forçar a melhor caligrafia do mundo Pra te contar sobre qualquer bobagem.
Se eu fosse mesmo lhe escrever
Não escreveria sobre nada.
Seria uma folha em branco
Um desses papéis de carta da coleção de Minha mãe, um pouco envelhecido, talvez
Dentro de um envelope sem pompa
Que era pra você ser remetente
E eu destinatário
Da história que eu não sei mais contar.
Mas não uma carta de amor
Muito menos de ódio.
Não iria falar sobre meu dia
Nem sobre como as noites tem sido de insônia.
Não adiantaria listar os planos
Nem forçar a melhor caligrafia do mundo Pra te contar sobre qualquer bobagem.
Se eu fosse mesmo lhe escrever
Não escreveria sobre nada.
Seria uma folha em branco
Um desses papéis de carta da coleção de Minha mãe, um pouco envelhecido, talvez
Dentro de um envelope sem pompa
Que era pra você ser remetente
E eu destinatário
Da história que eu não sei mais contar.
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